João Amaral - Presidente da AML 1990-2003
Mandato 2002 - 2005



João Amaral - Presidente da AML 1990-2003

Nota Introdutória

Este Livro de Homenagem a João Amaral é, desde o início da sua preparação, pelas suas características e conteúdo, e por decisão unânime do Presidente da Assembleia Municipal, dos Secretários da Mesa e dos Representantes de todos os Grupos Municipais, uma publicação da Assembleia Municipal de Lisboa.

Quando, em Abril de 1990, perdemos José Saramago como presidente da Assembleia de Lisboa, ganhámos um escritor, já então grande, que passou a assumir determinadamente uma caminhada de literária e de participação humana e empenhada, a nível mundial, que o levaria ao Prémio Nobel da Literatura, e ganhámos um presidente que seria decisivo, com todos os eleitos desse e de outros mandatos, na evolução da vida democrática e inovadora deste órgão primeiro e fundamental da Cidade de Lisboa.

Com João Amaral, este coral de vozes e de vontades diferentes, dissonantes tantas vezes mas quase sempre afirmativas e criadoras, organizou-se mais acentuadamente em Comissões Permanentes e Eventuais e evoluiu para uma melhor aprendizagem e resolução das realidades complexas e multifacetadas de um Concelho que, para o bem e para o mal, foi e é central e determinante na Área Metropolitana e no País.

A Assembleia Municipal de Lisboa é hoje, na maior parte ou na totalidade da nossa vida de eleitos, de dirigentes e de responsáveis a vários níveis na actividade política, porventura a experiência mais diferenciada, democrática e estimulante da nossa acção quotidiana.

Daí que a responsabilidade de todos seja agora maior, com a perda de um presidente que ficará na nossa memória como um exemplo de isenção, de rigor e de eficácia, na prossecução desta caminhada de trabalho, tantas vezes recheada de silêncios, de incompreensões e de dificuldades quase intransponíveis, mas que será, com certeza para todos nós, decisiva na criação de melhores condições de vida para a população da cidade, na participação empenhada em preservar e construir uma Lisboa que amamos e que queremos ver sempre livre, transformadora e progressiva.

A melhor homenagem que a Assembleia Municipal de Lisboa poderá prestar, todos os dias, a João Amaral, é continuar a ser uma escola de democracia, de convívio, de lutas e de amizades duradouras, no respeito integral pelas diferenças, pelas opções e decisões de cada força política e de cada eleito e membro da Assembleia.

Senhoras e senhores deputados municipais, temos quórum e podemos começar de novo os nossos trabalhos, inclinando-nos perante a memória de um amigo e companheiro que hoje aqui homenageamos e que sempre recordaremos.

António Modesto Navarro

Presidente
da Assembleia Municipal de Lisboa

 

Lisboa sentiu. Nós, todos nós, cidadãos, munícipes, responsáveis autárquicos sentimos, e irreflectidamente, num gesto do mais «nobre egoísmo» lamentamos a perda do homem que foi Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa durante mais de uma década.

Temos de saber olhar para longe. Independentemente do nosso credo, das nossas convicções políticas, temos responsabilidades acrescidas em não deixar cair no esquecimento, não a memória que se perpetua, mas especialmente os valores de dignidade, de profundo sentido de humanidade e, porque não dizê-lo, da forma leal como João Amaral sempre soube estar na vida política. Fosse com apoiantes, com simpatizantes, com partidários, fosse com os adversários.

Como Presidente da Câmara faço questão de participar neste homenagem, embora lamente que a Assembleia Municipal tivesse insistido que a edição fosse só desse órgão e não de toda a autarquia.
Mas esta homenagem terá sobretudo de ser rendida pelas gerações futuras. Que entendam no exemplo de João Amaral como a liberdade de opinião, assim como o livre exercício da atitude crítica, entendida no seu sentido construtivo, constituem ambos um contributo fundamental para o debate de ideias, para a reflexão, para a consolidação da vivência democrática, para a construção dum futuro melhor.

João Amaral foi um lutador, um homem de convicções profundas mesmo nos momentos de maior adversidade, um homem que sempre pôs os valores da dignidade humana acima das ideologias, um homem que lutou contra aquilo que classificava como o egoísmo da regressão civilizacional.

Talvez por isso mesmo, João Amaral tenha sido, acima de tudo, um político e dedicado a sua vida à política em vez de a ter dedicado à arquitectura, uma arte que muito o fascinava, como algumas vezes o referiu, mas sem nunca se ter arrependido do caminho que escolheu. Não importa, fosse onde fosse, seria sempre, e afirmo-o com convicção, o mesmo João Amaral que conhecemos.

O futuro saberá reconhecê-lo e guardar sempre o seu exemplo.

Pedro Santana Lopes

Presidente
da Câmara Municipal de Lisboa





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