Sessão Comemorativa - 25 anos - 25 de Abril
Mandato 1998 - 2001



Sessão Comemorativa - 25 anos - 25 de Abril

Nota introdutória

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa – Senhor Presidente da Associação 25 de Abril – Senhor Presidente da Associação Académica de Lisboa – Senhoras e Senhores Convidados – Senhores Autarcas – Senhores Dirigentes e Trabalhadores do Município de Lisboa – Senhores Munícipes – Senhoras Deputadas Municipais – Senhores Deputados Municipais

Queria começar esta intervenção muito curta com duas notas prévias. A primeira refere-se ao pesar e tristeza com que o Município de Lisboa soube do falecimento do Engº Nuno Kruz Abecasis, que foi durante cerca de dez anos Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e que foi também um ilustre membro deste Parlamento da Cidade.

Assembleia Municipal de Lisboa, evocará a figura de Kruz Abecasis na reunião que vai realizar no próximo dia 27 de Abril. Por acordo de todos os Líderes Parlamentares, a Assembleia começará nesse dia com um período de intervenções dos partidos e da Câmara Municipal e com a votação de um voto de pesar.

Mas sendo esta Sessão, que aqui nos reúne, a primeira reunião plenária após o falecimento do Engº Kruz Abecasis, entendo que a Assembleia Municipal de Lisboa deve exprimir publicamente, desde já, o seu pesar pela perda do autarca devotado, do cidadão de muitas causas, e particularmente, para muitos, do amigo sempre atento, de coração e generoso.

Convido-vos a todos a aguardar um minuto de silêncio em memória do Engº Kruz Abecasis.

Seguidamente, toda a Assembleia, de pé, guardou um minuto de silêncio em memória do Sr. Engº Kruz Abecasis, conforme solicitado pelo Sr. Presidente.

A segunda nota prévia que queria endereçar-vos, refere-se à presença do Senhor Presidente da Assembleia da República, Dr. António Almeida Santos.
Quero aqui agradecer, publicamente, a disponibilidade, por ele manifestada quando o convidei, em nome desta Assembleia Municipal, para estar aqui presente. De imediato organizou a sua agenda para poder estar connosco, sei que entendia a sua participação nesta Sessão como uma homenagem ao 25 de Abril, uma homenagem muito especial porque era feita juntamente com aqueles que dão corpo a uma das mais importantes realizações de Abril, que é o Poder Local.

Infelizmente, e já explico o sentido deste infelizmente, o Dr. Almeida Santos não estará aqui connosco.

Como é sabido o Senhor Presidente da República convocou o Conselho de Estado para ouvir sobre a situação de Timor-Leste. O Senhor Presidente Almeida Santos procurou-me logo que soube, e disponibilizou-se para estar aqui, digamos depois das 19 horas, tentando vir apesar da importância desta reunião do Conselho de Estado. Eu próprio lhe disse que era meu entendimento que era mais importante ele estar presente no Conselho de Estado, do que estar aqui connosco afastando-se e abandonando o Conselho.

De facto, a situação em Timor-Leste é neste momento dramática, à beira de um colossal desastre. O povo mártir de Timor, perante o qual Portugal tem as suas responsabilidades de potência administrativa, precisa urgentemente de apoio, precisa de quem o ajude a defender os seus direitos e a sua própria existência como povo. Quando a isto estou certo que toda a Assembleia Municipal estará de acordo comigo, como toda a Câmara e como todos os presentes. Repudiamos e condenamos a actuação da Indonésia e das milícias que esta armou e apoia, condenemos os bárbaros assassinatos que cometem, o clima de terror que instalaram no território, a limpeza étnica e o genocídio que já tem em execução.

Daqui manifestamos, mais uma vez, o nosso firme apoio à causa do povo timorense, e apelamos aos órgãos de soberania para que não descansem nesta hora dramática para que haja medidas concretas para defesa dos timorenses, e à comunidade internacional que olhe para a distante terra de Timor e ponha em prática, com toda a urgência, os princípios da Carta das Nações Unidas num território que foi anexado pela força e que agora reclama apoio por todos os meios, que a ONU tem, nos termos dessa Carta, ao seu alcance.

Foi face a este quadro dramático e a exigir rápidas medidas, que expressei ao Senhor Presidente Almeida Santos a opinião que a sua presença no Conselho de Estado era mais importante que a sua presença aqui. Tenho pena que seja por causa de Timor-Leste, que seja uma razão tão grave e perigosa para os timorenses que nos prive da sua presença.

Eu disse infelizmente, porque o infelizmente reporta-se à dramática situação que vivem os timorenses. Estou certo, no entanto, que todos concordam que é no Conselho de Estado que ele deve estar, em nome da busca da paz para o território, em nome do direito à autodeterminação e independência, em nome da dignidade e existência do povo de Timor-Leste.
Minhas Senhoras e meus Senhores.

A realização desta sessão especial comemorativa do 25º aniversário do 25 de Abril, é para nós, Assembleia Municipal de Lisboa, o cumprimento de um dever e uma celebração festiva com que honramos o acto fundador de uma democracia, da nossa democracia.

O Município de Lisboa está a celebrar de uma forma particularmente significativa, estes 25 anos de vida democrática. Quero aqui publicamente salientar os 25 cravos para os 25 anos do 25 de Abril, a feliz ideia com que a Câmara Municipal de Lisboa, assinala esta data.

Através do Senhor Presidente, Dr. João Soares e dos Senhores Vereadores presentes, de todos as forças políticas, saúdo toda a Câmara Municipal pelas iniciativas que está a levar a cabo em comemoração do 25 de Abril.

Da nossa parte, Assembleia Municipal, expressamos aqui nesta Sessão Solene o nosso empenhamento, como eleitos pelo povo de Lisboa, em festejamos esta data.

Celebramos hoje aqui os 25 anos do 25 de Abril no pluralismo da composição desta Assembleia Municipal, onde os diferentes partidos, em liberdade, exprimem diferentes posições e opiniões.

Celebramos os 25 anos do 25 de Abril com a afirmação da vitalidade do Poder Local, expressa na riqueza e variedade da sua obra realizada em todo o país, mas também no empenhamento dos eleitos, que só na Cidade de Lisboa se aproximam do número de um milhar, representando um altíssimo nível de participação que só a democracia permitiu.

Celebramos o 25 de Abril como data de paz, depois de 13 anos de guerra que continuam bem presentes na nossa memória.

Celebramos os 25 anos do 25 de Abril com os capitães de Abril que aqui homenageio pela sua coragem no acto de rotura que trouxe a democracia.

Celebramos os 25 anos do 25 de Abril também com as novas gerações, com a sua visão própria dos problemas do país, com as suas esperanças face aos difíceis desafios que enfrentam, mas também com a certeza que o espírito de Abril, que é o da afirmação da liberdade, da justiça, da solidariedade, do desenvolvimento, da participação e da paz, é o espírito que enforma a sua acção quotidiana, na busca de uma escolha melhor, ou na busca do emprego, ou na busca de uma intervenção cívica geral.

A todos os que aqui estão, ao povo de Lisboa, termino com estas palavras simples que todos temos na alma: Viva o 25 de Abril.

João Amaral

Presidente
da Assembleia Municipal de Lisboa







< Artigo anterior: Lisboa Depois da Expo...
Artigo seguinte: A escola é ainda uma... >
Mapa do sítio  /  
Ficha técnica  /